Primeiro de abril, deixa eu te contar uma mentira!

Deixamos nossa postagem da semana pra esta sexta-feira oportunamente, afinal hoje é primeiro de abril e vamos falar sobre a mentira.
MENTIRA!!!
Sim, mentira. Não deu tempo de escrever no começo da semana pois estávamos com mil outras atribuições e hoje pela manhã pensei em falar sobre esse assunto.
A mentira tá sempre rondando a gente, ela é danada, vacilou ela te pega. O pior é quando a gente mente pra gente mesmo, e ainda mais quando mentimos de maneira patológica.
É verdade, mentir pode ser uma doença, você sabia?
Chato né, mas tem tratamento e a pessoa que mente patológicamente precisa de ajuda e cuidados.
Segue um texto explicando um pouco mais sobre este assunto (peguei no site Guia da Semana) lí outras publicações mas achei que este explicou bem, além de dar dicas de como ajudar uma pessoa que você desconfia que pode estar passando por este problema.
Beijo e até mais!


MITOMANIA

O que é isso?
A mitomania foi originalmente conceituada em 1905, pelo médico e psiquiatra francês Ernest Dupré, sob a seguinte forma: "tendência patológica à fabulação consciente. As histórias imaginárias do mitômano são, às vezes, pobres de conteúdo, e inverossímeis, outras vezes, pitorescas, bem concatenadas, pelo que induzem à convicção" .
Quem nunca contou uma mentirinha? A própria cantora Rita Lee já assumiu que mente muito nas entrevistas. De qualquer forma, existem pessoas que levam a mentira tão a sério, que passam a vivenciar a história como se fosse verdadeira. Essas pessoas são os mitônamos.

Mas não confunda! Ter mitomania é diferente de ser um mentiroso compulsivo, que não consegue assumir a mentira por conta da fraca personalidade, como explica a psicóloga Rita Jardim. O mentiroso tem noção real do que está fazendo, mentindo para se livrar de algum problema.

Sintomas
? Insegurança, já que a própria realidade é sustentada de forma forjada.

? Dificuldade em tomar decisões e acreditar nelas.

? Falta de autoconfiança.

? Falta de credibilidade.

? Tendência à confusão mental.
"Os mitômanos são pessoas que gostam de contar histórias e acabam vivenciando as mesmas como se fossem realidade. Para a pessoa que ouve a princípio, não tem como descobrir. Mas depois de ouvir tanta mentira, acaba percebendo que as histórias não batem e diagnosticando o problema", completa.

Eles têm a característica de mentir sobre um assunto específico, como o perfil dos pais ou fatos determinados do passado. Essa é a forma que encontram para fugir da realidade dura que enfrentam em certo aspecto da vida. Já o mentiroso compulsivo, mente sobre qualquer coisa, sem motivo ou controle da situação.

O psiquiatra e chefe do serviço de saúde mental do Hospital Municipal Lourenço Jorge - RJ, Leonardo Gama Filho, explica que o quadro do mentiroso compulsivo costuma ser um sintoma associado à outra patologia mental. "Ele é um refém do comportamento de mentir, precisando fazê-lo sem limites para se sentir bem. Quando confrontado com a falsidade de suas afirmações, apresenta a capacidade de reconhecer a não-veracidade dela, porém, demonstra uma tendência compulsiva a repetir a mesma mentira ou a criar uma outra pouco tempo depois."

A psicóloga Denise Impastari explica que a pessoa com mitomania possui uma supervalorização de suas crenças em função da angústia profunda e problemas emocionais. A mentira é tida como verdadeira para manter um equilíbrio mais ou menos suficiente.

O problema pode ocorrer desde a infância, sendo difícil diagnosticar nessa fase, já que a criança tem o costume de mentir. Mesmo assim, ele pode permanecer durante a adolescência e a vida adulta. Entre os 10 e 13 anos de idade, o indivíduo desenvolve a saúde mental, equilibrando os mundos interno e externo, aprendendo a ter opiniões próprias e a se relacionar formalmente. Quando ocorre algum transtorno de personalidade, qualquer trauma ou complicação durante esse período, são desencadeados conceitos errados sobre si mesmo e a própria vida, causando a doença. 

"No fundo, a pessoa sabe que aquilo que está dizendo é uma mentira, mas, para ela, é uma mentira boa", explica a psicóloga Fabiana Frade. A especialista ressalta que o problema é desencadeado a partir de questões afetivas, como a falta de um companheiro ou dificuldades no relacionamento em família. Uma das principais causas da mitomania é, inclusive, a depressão associada à ansiedade, podendo evoluir até chegar a um suicídio, em casos graves.

tratamento deve ser realizado com psicólogo e psiquiatra, no entanto, a cura não é simples. O problema pode ser amenizado, mas não solucionado totalmente, estando sujeito a recaídas caso não haja a "manutenção" necessária com o profissional. Não há graus da doença, eles são medidos de acordo com os prejuízos que ela traz. Segundo Rita Jardim, existem mitômanos que não prejudicam ninguém além deles próprios. O psiquiatra poderá indicar medicamentos, que costumam incluir antidepressivos.

Participar da terapia junto com a pessoa envolvida é uma forma de amenizar a questão, uma vez que isso minimiza a solidão e desejo de morte, conseqüentes da doença.

Como lidar
? Se for colega de trabalho, por exemplo, cheque sempre as informações que ele passa. No relacionamento a dois, é preciso ter muita paciência para lidar com a situação.

? Mostre dados que comprovem a mentira.

? Nunca confronte um mitômano diretamente, pois ele não acredita que está mentindo. Falar para ele que está inventando coisas é um sofrimento muito grande.

? Aos primeiros sinais de que a mentira está fora de controle, encaminhe a pessoa para o médico.

? Compreenda quando ele delira. Quando descreve algo distorcido, significa que está apontando para uma ferida dolorida, onde não quer que ninguém encoste.

? Não diga diretamente para o mitômano buscar tratamento. Diga algo como "pensei em procurar um psicólogo para mim", para que a pessoa tenha a idéia, já que, no fundo, ela sabe que possui algum problema, apesar de não entendê-lo completamente.
O psicólogo especializado em antropologia Mauro Godoy conta que é preciso esclarecer, sem cobranças ou pressão, a razão pela qual a pessoa está mentindo, livrando-a de culpas e fazendo com que entenda até que ponto vale a pena continuar inventando histórias. Em seguida, é necessário transformar a vontade de mentir em alguma atividade produtiva, como no trabalho, por exemplo. "Essa pessoa, no mínimo, é criativa", completa.

Quando o problema é mentira compulsiva, a princípio o tratamento segue o mesmo. A diferença é que podem haver comprometimentos de formação, como a perversão, o que complica o quadro.


Quando a mentirinha passa a ser um problema? 

"Hoje em dia, como o marketing está na moda, é muito fácil encontrar pessoas mentindo sobre si mesmas ao preencherem um currículo, ao venderem coisas, ou até na hora de paquerar. Essas são consideradas atitudes mitomaníacas, mas o conceito de doença surge quando o comportamento gera problemas, esclarece Godoy. 


O grau da mitomania é sempre proporcional ao sofrimento que ela acarreta. O que ocorre é que a pessoa prefere conviver com um passado que nunca existiu para fugir dos problemas ou mascarar feridas sem tratá-las. Até onde isso pode levar só vai depender do autocontrole de cada um.

Não há como evitar. O que se deve fazer é dar atenção aos filhos e afeto, para que eles não venham a sofrer com esse e outros problemas decorrentes de carência. Uma "mentirinha" não chega a ser mitomania, mas se os pais percebem que a criança o faz com freqüência, devem procurar pelo psicólogo, para que a questão não se agrave.

O psiquiatra francês Dupré afirma que todas as crianças mentem naturalmente. Essa característica passa a ser doentia num número reduzido de casos, sendo que a mitomania costuma ter início na infância ou adolescência.

A mentira patológica é tida como sintoma freqüente em diversos transtornos, principalmente nos transtornos de personalidade narcisista, histriônica (excesso de emotividade e busca de atenção) e anti-social, segundo Gama Filho. A compulsão por mentiras pode se dar por razões patológicas, de personalidades problemáticas, ou pode ser causada em decorrência de uma neurose histriônica como a Síndrome de Munchhausen e de Ganser. 



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